Dados do Pisa (Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes) 2015 divulgados nesta quarta (19) mostram que o Brasil
é um dos seis países em que mais jovens entre 15 e 16 anos de idade se
encontram no mercado de trabalho.
Segundo
o levantamento da OCDE (Organização para Cooperação de Desenvolvimento
Econômico), 43,7% dos jovens brasileiros nessa faixa etária declararam exercer
algum tipo de trabalho remunerado em suas rotinas, antes ou depois de irem à
escola. Com esse número, o Brasil fica atrás apenas da Tunísia (47,2%), da
Costa Rica (45,3%), da Romênia (45,3%), da Tailândia (43,9%) e do Peru (43,8%)
O
índice também é bastante superior à média dos países membros da OCDE, onde
23,3% desses jovens --ou seja, quase metade da média brasileira-- disseram já
trabalhar. Já o país com o menor índice é a Coreia do Sul (5,9%). O Pisa avaliou,
no total, 72 países e territórios: 35 membros da OCDE (como Alemanha, Grécia e
Chile) e 37 parceiros (como Argentina, Sérvia e Peru).
De acordo com a análise da OCDE, estudantes que
exercem um trabalho remunerado tendem a apresentar um desempenho inferior em
ciência do que aqueles que não trabalham. Eles também apresentam maior
tendência em não se sentirem enquadrados no ambiente escolar, em deixar a
escola antes do fim do ensino médio e em faltar ou chegar com atraso para as
aulas com frequência.
No
Brasil, a média dos alunos em ciência no Pisa está estagnada em 401 pontos,
valor inferior ao dos estudantes dos países membros da OCDE, que é de 493
pontos. Esta é a primeira vez que a OCDE divulga uma análise dos resultados do
Pisa com foco em questões relacionadas ao bem-estar dos alunos, como a relação
deles com colegas e professores, suas vidas em casa e como eles utilizam o
tempo fora da escola. O estudo de 2015 avaliou 23.141 alunos brasileiros(de 841
escolas), com idades entre 15 anos e 16 anos, matriculados a partir do sétimo
ano.
Mais de
80% dos estudantes brasileiros se sentem ansiosos em relação a uma prova
Em
relação às tarefas da escola, os alunos brasileiros se dizem apreensivos: 80,8%
afirmaram se sentir ansiosos em relação a uma prova ou teste, mesmo estando bem
preparados. O número fica atrás apenas da Costa Rica (81,2%) e é bastante
superior à média dos países da OCDE (55%). A Suíça é o país com o menor índice
(33,5%).
Além
disso, 56% dos alunos brasileiros dizem ficar muito tensos quando estudam,
contra uma média de 36% dos países membros da OCDE. Em todos os países
analisados pelo Pisa, as meninas apresentaram níveis de ansiedade maiores que
os meninos.
Quase 20%
sofreram bullying
Em
média, 17,5% dos estudantes brasileiros afirmaram ter sofrido algum tipo de
bullying mais de uma vez em um mês, 9,3% disseram ter sido ridicularizados por
colegas e 3,2% afirmaram ter apanhado ou terem sido empurrados por outros
alunos.
As médias dos países membros da OCDE são,
respectivamente, 18,7%, 10,9% e 4,3%. Hong Kong, na China, aparece em 1º lugar
nesse ranking: 32,3% dos alunos afirmaram ter sofrido bullying de qualquer
tipo, enquanto 26,1% disseram sido ridicularizados e 9,5% afirmaram ter sofrido
violência física dentro da escola.
De
acordo com a OCDE, a proporção de alunos que são vítimas de bullying é maior em
escolas com altos índices de reprovação dos estudantes, onde alunos relatam que
os professores tratam os estudantes de maneira injusta e também onde há
má-disciplina em sala de aula.
Disponível em: https://noticias.bol.uol.com.br/ultimasnoticias/educacao/2017/04/18/brasil-e-o-6-pais-em-que-mais-jovens-de-15-e-16-anos-trabalham.htm

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