Foto: CONSED
Secretários estaduais de
Educação de todo o país participaram, no Palácio do Planalto, da
cerimônia de sanção da Lei do Novo Ensino Médio, com o presidente da
república Michel Temer. Na ocasião, o secretário de Pernambuco, Fred
Amancio, destacou o protagonismo do Consed na construção da reforma e
citou o grupo de trabalho coordenado pelo então secretário do Amazonas,
Rossieli Soares, hoje secretário de Educação Básica do Mec.
Em sua fala, o ministro da Educação, Mendonça Filho, defendeu um
consenso nacional em torno da educação. “A educação é prioridade e tem
de estar acima de filiação partidária ou ideológica”, disse, durante a
sanção da Lei do Novo Ensino Médio, pelo presidente da República Michel
Temer, no Palácio do Planalto.
Já o presidente Temer lembrou das mudanças implementadas em sua gestão:
“Este é um governo de reformas, um governo de ousadias; porém, ousadias
responsáveis e necessárias, para que o país possa prosperar”, disse. “A
reforma no ensino médio é apenas uma das reformas que estamos querendo
aprovar. A educação é fundamental e é por isso que, no próximo
orçamento, teremos mais R$ 10 bilhões para o setor.”
A Medida Provisória nº 746, de 22 de setembro de 2016, agora
transformada em lei, foi aprovada na última semana, no Senado Federal,
por 43 votos a favor, 13 contra e nenhuma abstenção. Entre as principais
mudanças estão a flexibilização curricular, a ampliação da carga
horária e a formação técnica na grade do ensino médio. A reforma ainda
prevê política de indução da escola em tempo integral.
Mendonça Filho destacou que o novo ensino médio vai ser mais atrativo
e permitirá a melhora na qualidade da educação. “Essa é a maior mudança
estrutural na educação básica do Brasil em décadas e mostra a sintonia
do nosso governo com os projetos de futuro dos jovens do país”,
enfatiza. “O novo ensino médio vai proporcionar mais protagonismo para o
jovem e mais oportunidades para ele do ponto de vista profissional e
educacional.”
O ministro ressaltou o avanço representado pela
reforma ao destacar que foi preservado todo o eixo central da proposta.
“Conseguimos a mais relevante estruturação na educação pública
brasileira dos últimos 20, 30 anos”, afirmou. “Houve debates durante
esse período; o que não existia, na prática, era vontade política de
avançar.”
Na esteira da reforma, destacou o ministro, há boas
perspectivas. “Entre as coisas que queremos fazer nos próximos anos está
alinhar o ensino médio com o ensino profissionalizante, hoje restrito a
8% do total de matrículas”, afirmou. “Em três anos, queremos dobrar a
oferta de ensino público em tempo integral. Para isso, há um programa de
apoio aos estados do ponto de vista técnico e do ponto de vista
financeiro, e um plano de apoio do governo federal de pelo menos dez
anos.”
Base — Após a sanção presidencial, o próximo passo
para implantar o novo ensino médio é a publicação do texto final da Base
Nacional Comum Curricular (BNCC), que está sendo debatido e elaborado
por comitê presidido pela secretária executiva do Ministério da
Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. “Vamos aprovar, com a
participação de toda a sociedade, a Base Nacional Comum Curricular”,
assegurou o ministro.
Algumas mudanças já estão definidas. Com o
novo ensino médio, a carga horária subirá de 800 para 1,4 mil horas
anuais. As escolas devem fazer essa ampliação de forma gradual, em um
prazo de cinco anos. O texto aprovado permite ainda que as redes
autorizem profissionais com notório saber a ministrar aulas
exclusivamente em disciplinas dos cursos técnicos e profissionalizantes.
A
BNCC, que será obrigatória para todas as escolas, vai ocupar o máximo
de 60% da carga horária total do ensino médio. O tempo restante deve ser
preenchido por disciplinas de interesse do aluno, que vai eleger
prioridades de acordo com a formação desejada em uma das cinco áreas de
interesse — linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências
humanas e formação técnica e profissional.
Opção —
Atualmente, o estudante que pretende uma formação técnica de nível médio
precisa cursar 2,4 mil horas do ensino médio regular e mais 1,2 mil
horas do técnico. Com a mudança, o jovem pode optar por uma formação
técnica profissional dentro da carga horária do ensino médio regular e,
ao final dos três anos, receber os dois certificados. Os estados e o
Distrito Federal organizarão seus currículos a partir da BNCC e das
demandas dos jovens, que terão melhores chances de fazer escolhas e
construir projetos de vida.
Além dos componentes curriculares
previstos na BNCC, o novo ensino médio prevê a obrigatoriedade das
disciplinas de língua portuguesa e matemática ao longo dos três anos.
Além disso, a língua inglesa, não obrigatória, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)
[Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996], passará a ser a partir do
sexto ano do ensino fundamental. No ensino médio, as redes poderão
oferecer outras línguas estrangeiras, com preferência para o espanhol.
Prazos —
A partir da publicação da BNCC, os sistemas de ensino terão o ano
letivo seguinte para estabelecer o cronograma de implantação das
principais alterações na lei e iniciar o processo de implementação a
partir do segundo ano letivo.
Hoje, mais de 1 milhão de jovens de
17 anos que deveriam estar no terceiro ano do ensino médio estão fora da
escola. Outros 1,7 milhão de jovens não estudam nem trabalham. O
resultado mais recente do índice de desenvolvimento da educação básica
(Ideb) também mostra a defasagem do formato atual do ensino médio
brasileiro. O último levantamento realizado mostrou que o país está
estagnado.
Em 2015, o ensino médio não alcançou a meta estipulada,
de 4,3 pontos no Ideb. O indicador se mantém estável desde 2011, na
casa dos 3,7. Além disso, as taxas de abandono na escola são elevadas e o
desempenho dos estudantes está cada vez mais em declínio.
Dados
do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados
em dezembro do ano passado, mostram que o Brasil está estacionado há dez
anos entre os países com pior desempenho. O levantamento mediu o
conhecimento dos estudantes de 72 países em leitura, ciências e
matemática. Nas três áreas, a média dos brasileiros ficou abaixo da
obtida pelos demais países.
Em matemática, o país apresentou a
primeira queda desde 2003, início da série histórica da avaliação, e
constatou que sete em cada dez alunos brasileiros com idade entre 15 e
16 anos estão abaixo do nível básico de conhecimento
Fonte: CONSED
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